terça-feira, 31 de janeiro de 2012

FELIPE ROCHA (continuação)

Um depoimento da tia madrinha:

"Jane Selma Rocha **FELIPE AMOR Q NÃO SE MEDE 01/03/2011

oiiiiiiiiiiiiiiii
Na medida do possível e até do impossível (humanamente)... Felipe estar bem...
Continua se esforçando ao máximo pra sua recuperação...fisioterapia (3x na semana)..terapia ocupacional (1x)...psicóloga (1x)...a cada 15 dias visita a oncologista pra realizar hemograma (averiguar as taxas) e heparenizar o portecath.

Frequentando a escola no horário da tarde...quando notamos ele muito cansado pois pela manhã tem sempre alguma atividade (as q citei acima) respeitamos seu organismo e N levamos...fica em ksa.

Manter essa estrutura N estar sendo fácil...os profissionais recomendados (exceto a psicóloga) N aceita plano de saúde e temos q pagar...

Notamos q às vezes chega da escola triste..ainda no processo de adaptação na escola (por conta da sua imunidade ele vai pra escola de máscara) e isso dificulta a sua comunicação com os coleguinhas...N sei se é só esse o motivo...mas com certeza isso tb afasta....ele é muito comunicativo....esse abatimento tb deve as suas condições físicas limitadas.

Continua com sua enorme vontade d N depender d ninguém...e exige q seja tratado como um pré adolescente (termo q ele usa)...a frase q sempre repete é “Parem d me tratar como cça...eu sou um pré adolescente...vcs estão me atrapalhando!!!"

Sim!!!! tb tem regras....N aceita mais ser chamado d: amorzinho, minha vida, meu bebê e outros 300 apelidos carinhosos q era chamado por mim.
Entregou-me por escrito uma lista só aceita ser chamado de: Felipe, Fefê, fêzinho e Lipe.... fala o tempo todo q quer namorar...hormônios a mil."


O jovem Felipe retornou a Maceió, em julho retornou às aulas, ainda com algumas limitações. As Janes, sempre observadoras, mudaram-no de escola ao constatarem que a professora não estava preparada para a entender o momento de FF. Retornos ao GRAAC a cada três meses com excelentes resultados. Porém, em dezembro houve uma intercorrência grave e ele passou por mais duas cirurgias: teve hidrocefalia. Médicos voaram de Recife a Maceió para operá-lo. Como ele tem uma válvula no cérebro, não poderia restar um pingo de sangue porque entupiria o aparelho. Por isso as duas cirurgias, havia ficado um pouco de sangue da primeira.  Mais uma vez, paralisação do lado esquerdo... mas estou falando de Felipe ROCHA que, aos poucos, está se recuperando. O transplante autólogo deu certo!
Aguardem: frases de FF. Ele tem cada tirada e em cada momento....
O nosso jovem está assim agora




                                                     Com a mãe Jane Shirley

Com a tia madrinha Jane Selma

                                          Natal de FF no hospital da UNIMED em Maceió

A história de Felipe ROCHA terá continuação.

Felipe Rocha

FELIPE ROCHA


Quando o conheci pessoalmente, no final de 2009, ele tinha dez anos e há treze meses lutava. Tanto eu como outras pessoas portadoras de câncer, já o tínhamos elegido como nosso exemplo de fé, perseverança e coragem. Nessa época, FF já tinha feito oito cirurgias no cérebro por conta de um tumor do tamanho de um limão. O garoto inteligente comparava sua história à de Davi contra o gigante Golias e concluía que se Davi venceu a enorme criatura, ele também venceria o câncer.

Sua mãe Jane Shirley e sua tia madrinha Jane Selma são igualmente exemplos de garra e dedicação; nunca mediram esforços para alcançar a cura de FF. De Maceió, onde houve um erro médico no início da enfermidade, voaram para Recife, lugar em que FF fez várias cirurgias e passou por inúmeras intercorrências, mas tal qual a fênix, sempre levantou e voou. Esse menino já chegou a perder a coordenação motora, e não foi apenas uma vez, a visão, a fala, ficar desenganado durante três meses na UTI, enfim, era difícil acreditar que voltasse à normalidade, menos para ele e para as grande Janes.

As oito cirurgias não conseguiram acessar totalmente o tumor que ficava em uma região muito delicada do cérebro (3º ventrículo e próximo às glândulas pineal e hipófise). Tipo do tumor: geminoma misto.

Em 04/11/2009, Jane Selma criou um tópico “Notícias de Felipe”, em várias comunidades do Orkut, nos quais informava e lamentava a recidiva do tumor de FF, que ele apresentava paralisia facial, como também no braço e perna esquerda, não conseguindo mais caminhar. Além disso, voltou maior e de forma mais agressiva. O garoto estava bem debilitado e os médicos deram duas opções: uma quimio muuuito agressiva ou paliativo oral e levar FF para casa.

Palavras da Jane Selma: “Meu DEUS!!!!!!!!!!!!!!! Paliativo?????? Isso lá é alternativa?”

Resolveram trazê-lo para São Paulo, para ser operado por um médico que cobrava 500 mil reais para fazer uma cirurgia de risco na qual era expert. O plano de saúde, como sempre, também não queria autorizar o tratamento em São Paulo, foi quando houve uma grande campanha nas redes sociais, com milhões de e-mails enviados a ANS, e FF veio para São Paulo com as Janes que deixaram tudo o que tinham em Maceió sem pensar duas vezes.

Depois de muita campanha, muita reivindicação junto ao plano de saúde, FELIPE ROCHA, já instalado em São Paulo, e depois de ter passado por alguns hospitais, acabou sendo recebido pelo GOP e pelo GRAAC onde a equipe médica decidiu por um transplante autólogo. Antes, quimioterapia invasiva, durante a qual o nosso pequeno grande herói passou por mais momentos difíceis. Neutropenia, leucócitos zerados e plaquetas baixíssimas.

Não pensem que nosso amiguinho perdeu a fé! Além de acreditar na própria cura, ainda falava coisas incríveis as Janes quando percebiam que elas estavam esmorecendo.

No transplante autólogo, o próprio enfermo é o doador de células cd34 retiradas de sua medula. Para se realizar o transplante, são necessárias, no mínimo 10 cd34. FF chegou em São Paulo em 08/12/2009 e em 01/03/2010, o quadro era este: três ciclos de quimioterapia, sendo dois muito fortes, levando-o a três períodos de internação por conta dos efeitos colaterais, em contrapartida o tumor diminuiu 60%. Em 18/03/2010, o nosso menino completou onze anos e, embora as dores, as infecções, os procedimentos invasivos para colher a cd34, ele continuava firme na fé. As células eram retiradas do osso da bacia, foram feitas várias tentativas para se colher as dez necessárias, até que a equipe resolveu transplantar o máximo que conseguiram: oito. A coisa não é tão simples assim, a punção no fêmur é um procedimento doloroso, porém FF aguentou firme. O esquema depois da retirada das cd34:

• 1º, 2º e 3 º dias: Cisplatina;

• 4º, 5º e 6 º dias: Tiotepa + Vezepide;

• 7º e 8º dias: hidratação;

• 9º e 10º dia: descanso para o organismo, aguardando eliminar as quimios para que não ataquem as células cd34 que serão implantadas;

• 11º dia: transplante de suas células tronco colhidas na semana passada.



Durante esses dias FF teve náuseas e vômitos, queda brusca de pressão e tremores. Em 15/04, a equipe médica constatou que o tumor estava mortinho, mortinho e em 16/04 foi feito o transplante. Foram quatro bolsas; o garoto sentiu muita náusea, frio, calor, febre e aumento de pressão. Não foi pouco o sofrimento, por isso que ele é o meu exemplo; sempre que vou fazer algum procedimento, ou mesmo quimio, me espelho em Felipe ROCHA, e suporto tudo com dignidade. Teve diarreia constante, mucosite séria (boca, garganta, estômago, intestino e ânus), pressão alta, pneumonioa, rosto muito edemaciado, febre muito alta e com tremores, a pele escureceu por conta da excreção dos quimioterápicos, mas em 25/04 já sabíamos que a medula estava pegando. No dia 02/06, os marcadores tumorais nada detectaram. Felipe ainda passava por várias intercorrências, mas o câncer estava morto!





segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Bom dia

video

Tradição, ideologia e même

Tradição: ideologia e même




Quando criança, adorava ir à igreja com minhas tias. A missa era rezada em latim, por isso mais misteriosa ainda. Na catedral de Santo Antonio, apreciava, analisava as imagens que me impressionavam deveras. Algumas me amedrontavam, como a do Bom Jesus, com sua capa vermelha e já livre da cruz.

Na minha primeira comunhão entrei trêmula na nave da igreja, portando meu tercinho, um evangelhozinho com capa de madrepérola, presente da minha “dinha”, e o branquíssimo véu na cabeça “Vamos todos ao sacrário, lá por nós Jesus está, mas ao ver tantas crianças, bem contente ficará...” não foi pouca a emoção ao tomar a primeira hóstia “corpo de Cristo”; não podia morder que saía sangue...

Na igreja de São Benedito, gostava de observar o teto. Em cada um dos quatro cantos, os evangelistas e lá na frente, no altar, o santinho tão pretinho com o Menino Jesus no colo. Nos dias de procissão, ele gostava de ir na frente, senão chovia e o povo não saía. Nesses dias, os anjos se materializavam... que lindos brincando, chorando no colo das mães, comendo quebra-queixo!

Eu também saía no meio de uma das quadras com meu amigo Tadeu. Já fomos juiz e juíza, príncipe e princesa, vestidos com tecidos nobres. Tudo era bom no antes, no durante e no depois. Antes, reuníamos na casa da festeira, Dona Lidioneta, mãe do Tadeu, onde, além de saborear o almoço da festa, brincávamos. Durante era um sonho só: a banda tocando, os fieis levando grandes velas, pessoas pagando promessas e eu rezava minha oração infantil no meio da quadra durante todo o trajeto. Pedia uma graça para alguém da família. Depois, era a quermesse, os doces e os afagos dos adultos.

As datas sagradas eram seguidas rigorosamente. Na quaresma, cobriam-se os santos com tecidos brancos, não podia rir, falar alto, senão cresceriam rabinho e chifrinho. A procissão da sexta-feira santa era pesada: os encapuçados, as carpideiras, o canto da Verônica, e ELE, o divino cordeiro em seus padecimentos. Meu coraçãozinho ficava em frangalhos, porém a alegria voltava no sábado de aleluia com a cerimônia de malhação do Judas. Naquele tempo, em cada bairro tinha um pau de sebo com o traidor pendurado, lotado de guloseimas e moedas. Quem lograsse alcançá-lo, levava tudo. Melhor ainda era o domingo da Páscoa, com toda a família reunida, almoço de gala e os ovos de chocolate.

A natividade era comemorada com grande pompa, especialmente no centro espírita que minha mãe frequentava, onde havia coral, teatro, danças. Mamãe sempre teve uma grande força mental, tanta que, certa vez, ela nos fez ver papai noel. Até hoje, eu e meu irmão sabemos descrever o que vimos no céu. Impressionante...

Na família, havia católicos, kardecistas, umbandistas e adventistas. Havia reuniões espíritas na casa de meu avô, na casa da Dona Lila onde incorporavam pretos velhos, pretas velhas, sábios hindus, caboclos, na casa da Dona Maria do Seu Alfredo onde o trabalho mais forte era a desobcessão. Tudo em nome de Jesus e voltado para o bem.

Papai assinava uma revista católica semanal que se chamava “Família Cristã”; eu esperava pelo correio sentada na porta de casa de tanto que gostava.

Como se não bastasse, estudei em colégio metodista; as aulas de religião eram sérias, a professora Dona Narcisa contava com grande eloquência as passagens bíblicas; no último sábado do mês, tínhamos uma reunião em que, além de entoarmos os hinos religiosos, mostrávamos nossos talentos.

Com os signos da religiosidade impregnados dentro de mim desde a infância, mesmo sabendo mais tarde o quanto a religião foi usada a favor do poder, o quanto há de lenda nas histórias, não consigo negar Deus. ELE está aqui e não é o meu ópio. Não me vejo acorrentada a dogmas. Jesus me comove até hoje e isso é algo meu, ou seja, não tenho necessidade de convencer ninguém, bem como convivo tranquila com minhas crenças. Hoje, sou holística, procuro respostas para meu espírito irrequieto e elas vêm.

AMÉM, AXÉ, SARAVÁ, SHALOM, NAMASTÊ...



domingo, 29 de janeiro de 2012

Enfermidade

São várias as reações das pessoas quando dizemos que temos câncer, mas a pior é aquela em que a pessoa diz: todo mundo vai morrer; eu posso atravessar a rua agora, ser atropelada e morrer... !?! Muito infeliz esse comentário, pois são indescritíveis as fases da enfermidade, desde a constatação, os mil exames, a rotina de hospital, os procedimentos invasivos e, em alguns casos, como o meu, a irreversibilidade da doença. Morrer atropelado ou de outras formas inesperadas é apenas uma hipótese... saber que se tem uma doença incurável é algo concreto, muito palpável e há que se ter uma boa estrutura psicológica.


Quem pode imaginar como é acordar todos os dias sem esperança de voltar a exercer sua profissão?

Outra reação abominável: quantas pessoas do seu círculo já morreram desde que você começou o seu tratamento? Valha-me!!! A princípio, pensamos que seria bom se o nosso avião caísse ou que tivéssemos um ataque cardíaco fulminante. Depois, vamos descobrindo felicidade nas coisas que nos restam, o brio e a dignidade falam mais alto e enfrentamos o que for heroicamente.

O pior comentário é o que diz que o câncer é uma doença cármica, que você está pagando o “mal” que fez à humanidade... que oportunidade ótima de evoluir!!!... então pegue para você! Estes estigmas que envolvem a doença são insuportáveis, sem fundamento e, mais, sinaliza que quem diz isso é uma pessoa que, no mínimo, acha-se muito mais evoluída que você.

Há pessoas que não querem nem ouvir falar sobre câncer, outras apenas ouvem e há, ainda, as que conhecem algo sobrenatural que vai nos curar. Eu, particularmente, aprecio falar sobre o que sinto, como aconteceu, como é o meu tratamento, quais as expectativas que eu ainda tenho.

Uma pessoa do meu círculo familiar, ao me ver praticamente careca, arregalou os olhos, que já não são pequenos, e, não contente, ainda disse “é, tudo passa”, com um ar de satisfação. Sim, parece que tudo passa, menos a ignorância, a maldade, a inveja... uma pena que essa pessoa, com isso, colocou no chão meio século de amizade.

Muitos me decepcionaram, como também, muitos me surpreenderam com sua capacidade de compreensão, de solidariedade, enfim, sua capacidade de amar.

Considero interessante o que disse um grande amigo: melhor saber que você está para morrer do que morrer de repente, acidentalmente, de AVC ou de ataque cardíaco, porque, pelo menos, prepara-se para a grande viagem. No mínimo, um bom argumento.



QUIMIOTERAPIA

QUIMIOTERAPIA




Pinga... pinga... pinga...

vista embaralhada

Cabeça pesada dói

alma descarrilhada

infindável o pinga-pinga



Xixi... xixi... xixi...

Vem a enfermeira

Sobe a cadeira

Tontura, corpo pesado,

Cor de papel... olheiras....



Náuseas... náuseas... náuseas...

Passa o saquinho, logo

Guardanapinhos, rápido

Troca de soro

Está acabando?



Voz sai tímida, frágil

Água... coff... coff... coff...

Passa o saquinho, logo

Guardanapinhos, rápido

Agora acabou





















Bela Morte

BELA MORTE




Vem, bela morte, me leve assim

Despojada, sem máscaras sem nada

Vem gentil que me deixarei conduzir

Vem calma e linda como

As águas da curva do meu rio



Sabe, bela morte, imagino-a jovem

Pura, perfumada, quase uma criança

Um quadro de Renoir

Uma púbere sorridente

Com promessas oníricas



Estende-me as mãozinhas delicadas

Que eu tomo e levo ao peito

Confiante

Vou, vou sim, sublime criatura

Pouco importa aonde



No seus olhos brilhantes

Cintila a promessa de paz

Em seu semblante tranquilo

Vislumbro o porvir

Não é o fim



Bela morte, quem te pintou feia

Se a vejo sem foice, formosa

E na sua formosura

O enigma do tempo

Ad aeternum

Continuum







sábado, 28 de janeiro de 2012

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Estou bem cansada, enfadada desta vida de enferma, com algumas limitações. Há dias que fico assim, perdida num vácuo... apesar de ter me ocupado bastante em compilar meus escritos para postar no meu blog e no recanto das letras... além disso, viajo nas recordações; hoje, por exemplo, fixei-me em Vera Manhães e fui logo procurar ouvir Dionne Warwick para reacender mais as lembranças. Visitei sites que tem fotos dela... minha tarde foi assim hoje, lá nos anos sessenta com Vera e eu dançando Walk on bye na sala desta mesma casa aqui em Piracicaba. Na nossa juventude ela era exatamente como está na foto. Ela chegava do Rio ou de Sampa, trazendo-me as últimas novidades... ensinou-me tudo de fútil que uma mulher precisa para ser bela e charmosa: como cuidar dos cabelos e da pele, fazer maquiagem, como vestir-se e até como fazer "biquinho". Necessário também, desde que não seja só isso. Minha família não quis participar do badalado casamento de Vera, nos anos 70 e a última vez que a vi, ao vivo, foi pouco depois de sua lua de mel. Nunca mais, só no cinema e em fotos. Bem que ela quis levar-me ao mundo da arte, mas eu era muito novinha... ainda bem que segui o meu caminho, no qual a arte sempre esteve presente de forma positiva e concreta. Mas que tenho saudade de Vera, ai como tenho!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Recordações da minha infância

Permanece vivo na minha lembrança o dia em que chegou uma caixa em minha casa pelo correio. Papai e mamãe avisaram que era presente para mim. Eu não deveria nem ter completado os meus seis anos. Curiosa, olhava a tesoura cortando a cordinha que amarrava aquele pacotão. Não era boneca, eu sabia, mas também não poderia ser presente, porque presente era no aniversário ou no Natal e vinha embrulhado com papel colorido, laços de fitas. Aquele era um pacote sem atrativos, eu não estava entendendo muito bem o que significava e nem o porquê de estar recebendo “presentes” naquela época do ano. Papai terminou a operação corta daqui, corta dali e, uma vez aberto o tal presente, retirou da caixa um livro e me apresentou: filha, esta é uma coleção para crianças, do escritor Monteiro Lobato... eu olhava para aquela capa colorida enquanto lia o título “Reinações de Narizinho” que aguçou a minha curiosidade, atiçou meu interesse e, com mãozinhas alegres ajudava papai a retirar da caixa o resto dos livros...capas lindas nas quais ia lendo “O Saci”, “Viagem ao Céu”, “A reforma da natureza”, “Emília no país da gramática”...

Minha mãe era professora. Daquelas antigas que eram o máximo. No começo de sua careira, como era de praxe, foi lecionar em zona rural. Toda segunda-feira de madrugadinha, andávamos alguns quarteirões a pé até a praça da igreja de São Benedito, de onde partia a jardineirinha que nos levava para o “sítio”. Mamãe, sua tia Noêmia, meu irmãozinho e eu. Como eu era feliz!!! O cheiro da manhã, as trouxas de roupa cheirando a sabão, espera da condução com o coraçãozinho aos pulos, a viagem pela estrada poeirenta... meu pensamentozinho era só alegria, era só o momento presente, sem passado e sem futuro se regozijando com a paisagem do caminho. Aquilo era “felicidade”.

No sítio era uma aventura sem fim. A escola era uma construçãozinha sem conforto nenhum. Um casinha de chão com três cômodos: um era a sala de aula onde se reuniam alunos de primeira, segunda e terceira série; o quarto e uma cozinha com fogão de lenha. As aulas ocorriam pela manhã e eu ficava por perto observando minha mãe e as crianças. À tarde, brincava com a menina do bar, do único bar das redondezas. Fazíamos casinha na cancha de boche ou num quarto lotado de guloseimas. À noite, uma vez por semana, tinha reza na igreja e eu respeitava aquele momento que considerava muito grave. Sempre que convidavam, íamos jantar em algum sítio por perto. Os anfitriões nos mandavam cavalos e uma boa escolta, e lá íamos saborear uma galinha caipira com batatas.

Meu irmão, nessa época, era quase um bebê; não participava ainda de todas as minhas aventuras. Nossos momentos juntos eram ao lado da nossa mamãe, quando ela ficava escrevendo e nós ficávamos ao lado brincando. Não me recordo de nenhum acontecimento que não tivesse um sabor de alegria. Às vezes, mamãe levava minha prima Zeza para ficar conosco, o que tornava nossos dias ainda mais especiais. À tardezinha, sentávamos no terreirinho em frente da casa para comer arroz com ovo frito num “coitezinho”. Que delícia sentar com a comida no colo, sem mesa, sentindo o cheiro da tardinha, olhando o sol em vias de despedir-se naquele maravilhoso céu. Entendo hoje que naquele momento, orava. Ficava extasiada observando a majestade da natureza e dentro de mim acontecia alguma coisa que não entendia, mas que era grandiosa e tranquila.

Quando voltava à cidade para passar os fins de semana, na casa de vovô riam do meu sotaque. Fabilinha fale verde... e eu dizia verrrrde, com aquele “r” retroflexo, característico da região. Aquilo não me incomodava nem um pouquinho, eu até gostava de imitar o jeitinho que os meninos do sítio falavam. No fundo, achava era interessante!!! E hoje essas recordações da infância são as melhores da minha vida.

Uma vez, mamãe ganhou um peru. Levaram-no para a cidade, só que ele não poderia ficar na nossa casa. Eu e meu irmão pulamos em volta dele, entusiasmados com o glu-glu, mas mamãe dizia que o peru era para o Natal. No outro dia, meu tio João foi buscá-lo para engordar no eu quintal. Foi a última vez que vimos a ave, uma semana depois soubemos que havia morrido. Mamãe disse: Morreu de melancolia!

Uma outra vez, quando voltávamos do sítio para a cidade na caminhonete de meu avô, nos deparamos com uma cena insólita: algumas pessoas estavam para atirar com uma espingarda em um cachorro. Lembro-me daquele cão todo branco feito um lobo, com os dentes afiados olhando para o eu carrasco... e uma roda de pessoas aguardando o final do pobre animal. Mamãe desceu correndo da caminhonete e conversou com aquelas pessoas, pedindo clemência para o cão. Não me recordo de seu crime, mas ninguém o queria. Foi então que levamos o “mosquito” para casa. Meu irmãozinho, que tinha ficado na cidade daquela vez, ao vê-lo, abraçou-o, beijou-o e tornaram-se amigos fieis para sempre.

De uma outra feita, íamos em comitiva, todos a cavalo, jantar em uma fazenda. Minha mãe numa égua baia com meu irmão, uns três peões em grandes alazões, eu e minha prima Zeza num pangarezinho. De repente, um dos cavalos assustou e desequlibrou os outros... eu e a Zeza bum! Fomos para o chão. Eu nem assustei, mas minha prima deu um trabalhão para montar novamente e prosseguir caminho.

Vivíamos novidade sobre novidade, bem de acordo com o meu geniozinho irrequieto, quando mamãe conseguiu “cadeira” na cidade e tivemos de dizer adeus à roça. Não fiquei triste, faz parte de mim buscar sempre o novo, tudo o que é desconhecido açula o meu espírito desde tenra idade.

Foi aí que ganhei a coleção de Monteiro Lobato para crianças. Presente. Vou contar porque ganhei esse presente aos cinco anos de idade. Uma manhã, mamãe pediu aos seus alunos para irem a lousa escrever palavras com três sílabas; eles ainda formavam-nas apenas com suas. Ninguém sabia. Eu, como sempre, apenas observava de meu cantinho. Ao ver que ninguém mesmo sabia escrever “sapato”, resolvi arriscar e dizer que eu sabia. Mamãe, então, me chamou à lousa e me entregou o giz. Escrevi “sa-pato” diante de minha mãe estupefata, pois ela não havia percebido que eu havia me alfabetizado junto com seus aluninhos.

Passei o resto da minha infância no mundo maravilhoso de Lobato. Adquiri o hábito da leitura, pois televisão naquela época era uma novidade luxuosa. Nenhum livro me fascinava tanto como aqueles que contavam a história e as aventuras das crianças do Sítio do Picapau Amarelo. Na minha imaginaçãozinha, ninguém poderia ser mais interessante do que a boneca de pano Emília. Essa personagem marcou minha vida para sempre, agreguei a irreverência e a ousadia da boneca a minha personalidade. A propósito faço referência a obra Os filhos de Lobato, de J. Roberto Witaker Penteado, na qual ele aborda a influência do escritor sobre seus pequenos leitores.



Meu sapatinho branco




Meu sapatinho branco


Abatiam um grande boi
Bem em frente à igreja
Sapatinho branquinho
Ficou vermelho de vergonha



Preta Fá

video
kkk... sacaneando meu filhotão René....só tiro mediante negociação..

Ao menino René

Filho

Quando alguém falar

Negro é burro, negro é sujo

Bom nem acreditar

Se te desdenharem

E de macaco te chamarem

Não sabem o que dizem

Também se os teus cabelos

Compararem ao bombril

Vai saindo... vai indo...

Nem responda ao imbecil

Se acaso ouvires

De pau de fumo seres chamado

Muda o rumo

Segue por outro lado

Tudo isso é mentira

Invenção de covardes

Que têm compromisso

lesar nossa honra

Que têm a intenção

De enlamear o negro

Negá-lo

Rebaixá-lo

Desacreditá-lo

Meu filho

Não escute, nem refute

Deixe-os falar



(produzida em 1993 para o meu filho René, então com dez anos)

Preta Fá

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

domingo, 22 de janeiro de 2012

CIO


CIO

Beco escuro
desejo incontido
sexo imprevisto
descontrolado
gritos de prazer
na liberdade da noite
Preta Fá

HAIKAI


HAIKAI

Antes de acalmar
o tão rio piracicaba
salta com vigor
Preta Fá

O RIO PIRACICABA I


O RIO PIRACICABA 1

O rio piracicaba
espalha suas águas
margens afora
loucamente
levando tudo
Momentos tão dele
as pedras secas esturricadas
tomam banho das águas do verão
numa festa de sons, cores, espumas
tresloucado êxtase

MARIA BONITA

MARIA BONITA
Gasturite...pode não
Fraqueza...  pode não
Chorá... vixe pode não
Fazê dengo...pode não

O sangue tem de fervê
Botá o cabra pra corrê
Voz  bem  grossa  pra mostrá
Que nem pense em abusá

Agarrá só no São João
Eitcha chuva tão gostosa
Forró cafungão bãão
Agora sim, fica melosa

Dá a teta pros menino
Lava roupa de cocra no riacho
Pega a unha o capãozinho
Pro almoço de seu macho

Na hora da função
A carabina forte agarra
Sem medo e com marra
Pum!.. é outro no chão

Eitcha mulé cabra da peste!

DOCE DOR

Não sei o que acontece; melhor fase do câncer (paradoxo?).... estou muito sensível, assim intensa: A M O, E N R A I V E Ç O... que eu saiba, um estado de beatitude envolve "nós, o que vamos morrer"... não estou nada meiguinha, até perguntei ao meu onco se essa QT mexe muito com o sistema nervoso. Não tento engolir o que não desce... boto para fora, vomito, vomito e vomito literalmente e figuradamente.
"Que lindo, morrer aos vinte..." (lema do romantismo)... que doce, morrer de câncer!
Palmas para a dor; se não podemos com ela, vamos gozá-la, transformá-la em múltiplos orgasmos....epifânicos!
Venha, dor, venha...venha, bela morte, derradeiro orgasmo!
Enlouqueço, será? ..... não, dissolvo e coagulo....ou, o contrário?
Preta Fá

sábado, 21 de janeiro de 2012

Ilha dos Amores

Bem-me-quer
Mal-me-quer
Bem-me-quer
Mal-me-quer


 Ah! Se me ponho a sós contigo
Descerro as grades do meu pudor
Liberto a paixão do seu abrigo
Que de tímido botão, far-se-á flor

 Ah! Será um encontro ao luar
 Momento de frenesi já sonhado
Em que vou em seu ser mergulhar
Soltar os elos do desejo sufocado

Ah! Feiticeira, com meu perfume, vou te embriagar
Aromatizado de dúvidas, incertezas, promessas
E em suas melenas serpentinas viajar

 Ah! Minha essência e sua essência juntar-se-ão
Ninfas, musas, esse momento celebrarão
Estrelas faiscantes deslumbrar-se-ão

 Vem me buscar que te quero meu
 Apressa-te em aplacar essa chama
E que o tempo não seja
 E que o espaço – NADA

 Quero me envolver em sua energia borbulhante
Matar o desejo que me consome
 Consumir-te como se fosses o último
 Deixa-me sonhar como me permito agora
 Que o mundo vai para
 E só nós, só nós dois num só
Balbuciando palavras mentirosas
Única verdade desse momento

 Deixa que eu me solte e te tenha
 Que eu viva a realidade da matéria
 Trêmula
 Inflamada
 Fissurada
Tresloucada

 Que esse momento seja DIVINO
Que esse momento seja o MAIS
Que esse momento seja o ÚNICO
Que não se repita
Para não se tornar banal
Que fique em mim
Como um cristal escondido
 Nas profundezas da mãe TERRA
Que somente ela seja dona
 Desse momento secreto único brilhante
 Em que nossos átomos EXPLODIR-SE-ÃO


RIO PIRACICABA 2

Misterioso, paradoxal
vida e morte
fartura e miséria
 perigoso e encantador

 amo-te assim
 imprevisível e traiçoeiro
 cheiro de infância
           de adolescência
           de        saudade
O som do salto
Alcança meu quarto
Nas noites de cheia
Abraço que me envolve
Sempre primeira vez
Página do convite de formatura da Turma "Fabília Aparecida Rocha de Carvalho", Faculdade São Luís de França, ARacaju (Sergipe), jan/2012

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A FÚRIA DE ADAMASTOR

A FÚRIA DE ADAMASTOR

 Ai... Poeta insano
 Oh, desumano fim!
Ai... Que dor me impuseste
Que penas na Tua funesta pena

 Ai... Deuses! Deuses!
 Oh, mitos
 Que ritos esses
Nesses tormentos
 Me prendem?

 Ai.. Doem-me as entranhas
Penetradas
 Carcomidas
Pelas gotas do AMOR
AMOR
entrando
Destruindo
Devastando
 Amor do qual
Não morro

 Ai... não morro
 Condenado eterno
Apelo em vão
 No exílio perpétuo
Deste papel insano

 Ai... Poeta insano
 Oh, desumano fim
 Ai... Que dor Me impuseste
 Que penas
 Na tua funesta pena!

 Ai... Espumas carrascas
 Rasgando-me
 Roendo-me
 Esburacando-me

 Ai... Infeliz azul
Febril visão
 Ferindo ferindo ferindo
 Rindo rindo rindo

 Ai... Que os céus me engulam
 Que os mares se incendeiem
 Que os livros se queimem
Que os poetas morram

DESILUSÃO

DESILUSÃO

Por onde andas, ó cruel
Se te perdi os passos
Eu, que te seguia fiel

Em qual buraco enfiastes
Escondendo-se como assassino
Em qual fossa enlameastes
Acovardando-se do destino

Por que escolhestes outro caminho
E de todos, o da deslealdade
Abandonando o dourado ninho
Deixando-me só, com saudade

Desisti da acariciada ventura
De crescer e envelhecer junto a ti
Às crises, tornei-me dura

Se, de fato, fugistes de mim
Definitivamente, não haverá volta
De meu erro, meu caro, este é FIM


 (Este poema foi produzido na década de 90)

sábado, 14 de janeiro de 2012

LÍNGUA SALGADA

LÍNGUA SALGADA

Falas como um vulcão
Vomitando lavas incandescentes
Em deleitosa delituosa erupção
Língua devastando desairosa
Vidas alheias em termos indecentes
Voz estridente e venenosa
Enlameando despudorada inocentes
Cortando qual lâmina insidiosa
Encharcada no fel dos maledicentes

Retorna às sarças, vil serpente
Rasteja entre ervas, pedra limbosa
Procura do regato a nascente
Lava essa língua salgada lodosa
Que passa devassa destruindo inclemente
Cantando dissonante lira maldosa
Espalhas da discórdia a vil semente
Parva pérfida pobre imprudente
Seca sua peçonha ao sol, ó insolente!

INFERNO

INFERNO

Trevas, escuridão
Buraco imundo, podridão
Grito socorro em vão
Vermes rastejam no chão
Vozes ressoam como um tufão
Gargalhadas gozam a situação
Monstros apocalípticos voam
Rostos sarcásticos caçoam
Sombras soturnas rondam
Meus sentimentos sondam
Desalmados zombam
Meu sangue disputam

Vampirescas criaturas trevosas
Seres luciféricos, almas ardilosas
Conheço-as bem desditosas
Com suas artimanhas maldosas
Iludem os frascos maliciosas
Com estratégicas audaciosas
Mas na escuridão há luz
São os adeptos da cruz
Nas trevas tudo reluz
Vermes covardes vestem capuz
Fogem, se escondem qual avestruz
É a proteção, salvação, chegou Jesus

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Carência

Quase todas as madrugadas, ele chegava trazendo consigo a vida. Era sempre a mesma coisa, um alô caloroso, a saudade implícita na voz ansiosa, os assuntos que pareciam não ter fim. Ela o recebia com o coração em flor, a cama desarrumada e, entre lençóis e travesseiros em desalinho, podia-se ouvir sua gargalhada. Falavam sobre os amigos, contavam fatos do cotidiano, cantavam suas músicas preferidas, tudo naquela intimidade cálida da qual apenas as almas apaixonadas conseguem desfrutar. Como músico sensível deslizando nas cordas de seu violino, ele adivinhava exatamente qual nota tocar para ouvir dela o som mais sublime. E, juntos, nas madrugadas compunham sinfonias de emocionar até os anjos. Ela o aguardava contando os minutos como criança que a mãe vai levar para tomar sorvete. Feliz. Muito feliz. Esperava, certa, pelo momento mais feliz, porque promessa de mãe não falha. E não falhava. Os festejos avançavam até o amanhecer. Sempre. Ele nunca queria partir, arrumava desculpas esticando o assunto; um dia até dormiu e de roncar para deleite dela que ouvia seus roncos como se fossem poesia. Tudo acontecia assinzinho, exatamente assim com ele e com ela. Brincavam felizes no bosque da paixão sem que nada os incomodasse ou atrapalhasse. Igualzinho duas crianças eram cúmplices e, muitas vezes, imaginavam-se sentados quietinhos debaixo de uma mesa, trocando segredinhos infantis ou em silêncio à beira de um rio, observando-o passar. Quietos. Sem palavras. Apenas a voz do coração. Certo dia, a promessa de mãe falhou. E falhou num outro certo dia também, e num outro certo dia também e num outro certo dia também. Ela teve febre. Ouvia a voz dele ecoando no seu quarto pelas madrugadas. Ela, instrumento sem cordas. Ela em sorvete. Ela sozinha debaixo da mesa. Ela sozinha observando o rio passar. O coração sem voz. Nunca mais soube dele. Nunca soube quem ele era. Nunca mais ele lhe telefonou de madrugada.

DESEJO

Olhos brilhantes
antes tristes
lacrimosos
seus olhos encontram
sob lentes
que não escondem
o riso sádico
por ler nos meus
que se rendem
o desejo único
de se embeberem
nos seus
nús seus
nós nús
sós...

DOMINGO

Domingo
Pedro molengo
dormindo
José confessa
professa fé
Congrega André
com os irmãos
cristãos
Severino
se vê rindo
do domingo
nem cachaça tem de graça
Ingrata teta suga o bebê
ventre inchado
magro
bichado
Domingo
rindo se vê
Severino
graça de cachaça
da magra teta

sábado, 7 de janeiro de 2012

Papai

A primeira vez que experimentei o ciúme na minha vida foi de meu pai. Deveria ter cinco ou seis anos. Toda vez que eu ia visitá-lo na escola onde trabalhava, que ficava em frente a casa da minha professora de piano, ficava perturbada se encontrasse alguma professora papeando com ele. Na realidade, nem sabia que aquilo era ciúme, mas sei que me torturava, pelo menos momentaneamente. Não me recordo de ter tido ciúme de mais ninguém na minha infância, nem do meu avô, do qual eu era o dodói, nem da minha mãe, nem do meu irmão, dos meus filhos e muito menos da minha irmã.
Papai ainda é o meu tudo! Admiro-o pelo que foi e pelo que é. Filho de cozinheira, aprendeu inglês sozinho, formou-se professor no final da década de 40 e dedicou sua vida toda ao ensino.
Quando eu era criança, tanto ele como minha mãe ofereciam aulas particulares nas férias e eu amava ficar por perto vendo-os ensinar. Isso foi no tempo em que professor era muito respeitado, ganhava o suficiente para ter alimentação, moradia e assistência médica.
Meus primeiros conceitos de civismo, que naquela época eram fortes, provieram das festas na escola onde ele trabalhava. Adorava as datas cívicas por conta dos desfiles, sendo que a fanfarra da sua escola era uma das melhores da cidade. Os alunos brilhavam nos esportes, muito incentivados pelo prof. Cornélio, que treinou um time de basquete tetracampeão dos Jogos Abertos do Interior. Grandes talentos nasceram nesse time! Maria Helena e Heleninha já jogavam nessa época! Papai não era professor de Educação Física; era professor de Inglês no Colégio Dom Bosco e Orientador Educacional na Escola Industrial de Piracicaba. Aposentou-se em 1986, já Supervisor de Ensino.
Esse meu papai sempre foi uma pessoa ímpar. Ensinou-me o xadrez quando eu tinha apenas seis anos de idade. Leitor, sua biblioteca aguçava a minha curiosidade. Esperava os livros da Coleção Saraiva e do Clube do Livro com ansiedade. Digo que não nasci em um berço de ouro, mas em um berço de cultura; papai sempre nos proporcionou oportunidades de ter contato com as várias linguagens artísticas: literatura, música, cinema, teatro, dança etc.
Hoje ele tem 83 anos e continua muito dinâmico: dança tango, participa de grupos de poesia, canta em um coral, toca violão e tem a culinária como grande hobby. Não consigo acompanhar a sua agenda. Desde que adoeci e passei a conviver mais com ele, sempre me surpreende com um filme, uma música ou uma poesia. Meus filhos também desfrutam com respeito da companhia do avô que interage com os netos de forma exemplar, sempre preocupado em esclarecer, orientar e satisfazer todos os gostos.
Aprecio demais as nossas conversas que sempre giram em torno de algum tópico referente às artes. A discussão sobre a poesia nunca termina: inspiração ou razão? Muitas vezes, os momentos são transcendentais. É quando acordo com Bach ou com Vivaldi. Sorvo cada segundo de vida ao seu lado com fundo musical diáfano.
Na infância, durante o inverno, quando chegava da escola à noite, oferecia-nos nutritivo leite com cereais e mel. Ah... e a deliciosa barra de chocolate branco ou o cachorro quente do Grill Dog... quando tivemos coqueluche (eu e meu irmão), íamos com ele e mamãe caminhar de madrugadinha num bosque de eucaliptos.
Esportista, corria cem metros rasos; nós o acompanhávamos ao treino entusiasmados porque na pista nos reuníamos com os filhos dos seus amigos e aprontávamos “todas”, além de correr também. Certa vez, um dos corredores levou que tinha uma cobra de estimação, levou-a à pista. Para quê? Sem medir consequências, jogamos pedras na inocente, que se deleitava em um galho de árvore, até que um adulto viu e intercedeu a favor do pobre réptil.
Lembro-me de meus pais jovens, felizes e saudáveis dançando mambo na sala de nossa casa com outros casais amigos, ao som que vinha de uma eletrola de “alta fidelidade”....coisa velha, não? Reuniões em casa com personalidades negras da época, quando era servido “hi-fi” (uísque com fanta – fanta? Não sei se já existia...) e petit-fours que me faziam ficar acordada até o fim.
Papai distribuía “beliscões” ardidos. Antes de sair para qualquer visita, rezava um pergaminho de “não pode” e, se burlássemos a regra, era beliscão na certa.
Por mais que rememore, essas palavras são insuficientes para render homenagem ao meu querido papai que amanhã, dia 08 de janeiro de 2012, completa 84 anos.
Papai, eu te amo muittttooooooo!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Citações em trabalhos científicos

Citações em trabalhos científicos

OLIVEIRA, Fabília Aparecida Rocha de Carvalho Honorato de. De negrinha a Tia Nastácia: um estudo sobre as personagens negras nas obras de Monteiro Lobato. Dissertação de Mestrado (OrientaçÕ de Arnaldo Cortina; co-orientação Luiz Gonzaga Marchezan). Araraquara, SP: Universidade Estadual Paulista, 2001.

1. ALBIERI, Thaís de Mattos. Lobato: a cultura gramatical em Emília no país da Gramática. Dissertação de Mestrado (orientação Marisa Philbert Lajolo). Campinas, SP: Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Estudos da Linguagem, 2005.

2. DIAS, Maicon Alves. De utopias e distopias – uma leitura de o presidente negro de monteiro lobato. Dissertação apresentada à Faculdade de Ciências Letras de Assis – UNESP – Universidade EstaduaL Paulista para a obtenção do título de Mestre em Letras na área de Literatura e Vida Social.
Orientador: Prof. Dr. João Luís Cardoso Tápias Ceccantini

3. VALENTE, Thiago Alves. Uma chave para A chave do tamanho, de Monteiro Lobato. Dissertação apresentada à Faculdade de Ciências e Letras de Assis – Unesp para obtenção do título de mestre em Letras na área de Literatura e vida social.
Orientador: Prof. Dr. João Luís CardosoTápias Ceccantini
Outra análise sociológica das personagens negras está na dissertação de Mestrado intitulada De negrinha a Tia Nastácia: um estudo sobre as personagens negras na obra de Monteiro Lobato (2001), de Fabília Aparecida Rocha de Carvalho Honorato de Oliveira que, de uma forma geral, procurou verificar a estereotipação das personagens negras nas obras de Lobato em suas publicações destinadas aos adultos e crianças e, também, analisar o negro no sentido de ser retratado, nessas obras, como “negro fiel” ou “negro demônio”.


4. FIGUEIREDO, Luciana Araújo. A criança negra na literatura brasileira: uma leitura educativa. Ministério da educação Universidade Federal da Grande Dourados Programa de pós-graduação em Educação dissertação de mestrado.
Ressaltamos também o trabalho da pesquisadora Fabília Aparecida Rocha de Carvalho Honorato de Oliveira, “De negrinha a Tia Nastácia: um estudo sobre as personagens negras na obra de Monteiro Lobato”, do ano de 2001. O objetivo desse trabalho foi mostrar as marcas da construção das personagens negras nas narrativas de Monteiro Lobato baseados nos contos “Bocatorta”, “Bugio Moqueado”, “O Fisco”, “Negrinha” e “Os Negros”, o romance “O presidente negro ou o choque das raças”, e as obras infantis “Histórias de Tia Nastácia” e “O saci”. A autora escolheu a análise da categoria personagem pelo fato da ancoragem referencial do corpus remeter a imagens estereotipadas do negro na literatura. A escolha do nome “De Negrinha a Tia Nastácia” deve-se ao enfoque de dois momentos da produção lobatiana, que podem ser representados por Negrinha, personagem pertencente à fase em que Lobato ainda não se dedicava à literatura infantil, dando preferência a temas que envolviam habitantes das zonas rurais do estado de São Paulo, em uma época que os resquícios da escravidão eram muito fortes e por Tia Nastácia, personagem da época das produções infantis. Nas obras de sua primeira fase, o negro é representado cumprindo os papéis que a literatura lhe reservara desde o Romantismo: “Negro Fiel” ou “Negro Demônio”. Na literatura infantil, as personagens negras Tia Nastácia e tio Barnabé cumprem o papel de Negro Fiel, com os traços peculiares indesejáveis como, por exemplo, a feiúra e a ignorância, que fizeram do negro um estereótipo da história da literatura. P. 5



5. KAERCHER , Gládis Elise Pereira da Silva. O mundo na caixa: gênero e raça no Programa Nacional Biblioteca na Escola -1999 . Tese apresentada ao programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul como requisito parcial para a obtenção do grau de Doutor em Educação.

Orientadora: Profª Drª Dagmar Elisabeth Estermann Meyer. 2006

Como podemos perceber, o papel ocupado por Lobato na história brasileira da primeira
metade do século XX é um dos mais representativos. Sua obra infantil, evidentemente ligada às concepções filosóficas, políticas e sociais do escritor constitui um marco na produção voltada a um público que se formava majoritariamente nos bancos escolares. Por sua importância como escritor para crianças, Lobato recebeu a partir dos anos 70/80, e continua recebendo, atenção dos estudos acadêmicos. Em meio a obras que tratam do homem “Monteiro Lobato”, aparecem aquelas que buscam analisar os textos lobatianos. Trabalhos como o de André Luiz Vieira de Campos, A República do Picapau Amarelo – uma leitura de Monteiro Lobato (1986), que propõe uma leitura a respeito da mudança do conceito de progresso na obra do escritor, compartilham o espaço com estudos de caráter ideológico, como De Negrinha a Tia Nastácia – um estudo sobre as personagens negras na obra de Monteiro Lobato (2001), de Fabília Aparecida Rocha de Carvalho, ou enfocam elementos como a apropriação de personagens estrangeiros, é o caso de Adriana Silene Vieira, com Um inglês no sítio de Dona Benta: apropriação de Peter Pan na obra infantil lobatiana (1998).















Meus lábios piscaram para os seus
Tocaram--se suavemente
Senti o gosto de sua pele negra
Nas pontas dos dedos
Minha cabecinha cansada
encontrou o caminho do seu peito
e ali ficou...

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Nômade no espaço
Acho um planeta
Nele monto tenda


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Tes yeux en riant au dedant de les miens
Ta peau nègre si étincelant
En réflechand sur mon lac
Tout mon corps se transbord d'étoilés

(Tradução)

Seus olhos rindo dentro dos meus
Sua pele negra iluminada
Refletida no meu lago
Transbordo de estrelas

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Cacos

Espelhos trincados
Cacos disformes
refletem meu corpo
quem quebrou?...

Procuro minha boca
Encontro meus olhos fragmentados
Anseio pelo coração
Acho cacos do meu cérebro

Recolho pedaços
Não sei se nariz
bicos de seios
parte dos olhos

Ah....apenas sensações
Refletidas sem definição
com as mãos
vejo meu corpo inteiro

EGO SUM

EGO SUM
EGO...EGO...EGO... ah, se eu fosse um monge do Tibet ou um iogue indiano, provavelmente já teria me livrado do meu EGO.
O Ego nos pressiona às paixões: vaidade, orgulho, egoísmo, luxo etc, sobrepõem-se ao SER. Domá-lo é tarefa para pessoas com certo grau de compreensão do cosmos e sua finalidade; dos que percebem porque viajamos pelo infinito sem saber porque, sem saber no que vai dar tudo isso; aos iniciados em alguma religião ou “seita”.
De acordo com a religião que segue, cada grupo acredita que vai para algum lugar já preparado por DEUS. Sou espiritualista holística: os caminhos da cabala, os conceitos budistas, a teosofia de Helena Blavatsky, a maçonaria, a Rosacruz, as doutrinas evangélicas e os evangelhos dizem a mesma coisa. Cada indivíduo se inscreve naquilo que não escapa a sua compreensão, porém é tudo a mesma coisa dentro do cristianismo. Como também em cada época as lendas cristãs foram se desdobrando, aumentando e se descaracterizando a favor do poder.
Mas, chega de tergiversar... e voltemos ao EGO com suas paixões. A literatura é plena de exemplos de pessoas dominadas por ele. A paixão que dominava Iago (em Otelo, de Shakespeare) era a inveja; consegue mesmo envolver Otelo até que este assassine a inocente Desdêmona. A paixão de Odisseu (Odisseia, de Homero) era o orgulho: desafia Possidon e é perseguido por ele até que a intercessão de Zeus o livra, porque a “moira” (destino) dele era voltar a sua terra para reencontrar a fiel Penélope e seu filho Telêmaco. A de Medeia (de Eurípedes) era a vingança. Emma Bovary (Madame Bovary, de Flaubert) desejava glamour, sucesso e visibilidade. Carlos (Os Maias, Eça de Queirós) colecionava amantes, até se envolver com sua própria irmã. Todas essas personagens tiveram de sofrer por conta da força de seus EGOS.
Saramago, em Ensaio sobre a cegueira, destitui suas personagens das paixões criando uma situação inusitada em que elas (as pessoas) nem nome têm. Perdem a identidade enquanto sujeitos e, aos poucos, a possibilidade de sobrevivência torna-se a única paixão.
Acalmar as paixões é esquecer-se, algo que o discurso religioso prega com diferentes enunciados em distintas religiões: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”; “Exercer o serviço desinteressado ao próximo”, “A salvação está na caridade”; e mais uma vez encontramos uma pitada irônica sobre a caridade nas obras de Machado de Assis, mais precisamente em Memórias Póstumas de Brás Cubas, na qual ele salienta o egoísmo, o orgulho, enfim, as paixões, entre elas , ”o serviço interessado”, no dizer comum, “ninguém dá ponto sem nó”. Cada personagem figurativiza uma paixão: Marcela, a vaidade; Virgília, o poder; Brás Cubas, o virtuosismo, enfim, um téorico cheio de idiossincrasias.
Não sei todos os descalabros do meu EGO, só sei que precisa ser domado e, a cada vitória dele, vejo a distância que me separa daquilo que almejo. Até almejar é uma paixão. Os místicos aconselham: esqueça o seu EGO, não haja, não reaja, não deseje nada, que as forças do universo conspirarão ao seu favor.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Agora há pouco...daqui a pouco


Agora há pouco.... daqui a pouco....

Agora há pouco, tomei banho, envolvi meu corpo com as essências que mais aprecio, enfiei-me dentro de uma roupa muito alto-astral, calcei sapatos de bicos bem finos e saí pela manhã da "paulicéia ensolarada" com a vida pulsando e pulsante! Olhei meu bumbum no espelho e pensei "nossa, seja bem-vindo de volta, bumbum, pelo menos dentro de um tamanho não assustador". Fui ao Lavoisier, já sou frequentadora assídua desse laboratório, e enquanto aguardava a minha vez, "fiquei pensando humildemente nas futilidades da vida", parafraseando Bandeira. Sim, porque que delícia sentir-me menos gorda... passar de manequim 52 para 48.... e esses seres que possuem falo voltarem a me olhar com cara de bobos e ainda a sorrir (para mim?) ... desci a avenida Angélica poderosíssima, pisando leve com passos de felina como se fosse a mais etérea das ninfas, rememorando o final dos anos 70 quando descia a Augusta neste mesmo horário e ouvi uma voz masculina dizer "Você é o show da manhã"... rs... mas, ao mesmo tempo comecei a me recriminar sobre essa futilidade, afinal tenho de terminar de preparar aquela aula sobre Barroco... ah, pronto, estava me sentindo tão barroca, assim tensa entre o sagrado e o profano... entro em uma igreja para rezar ou beijo uma boca loucamente?.... kikiki.... tudo isso sem nem lembrar que o resultado de uma biopsia estava para sair....
À tarde, fui ao Museu da Língua Portuguesa... "penetra surdamente no reino das palavras"...e eu me senti sendo enterrada no lugar em que qualquer pessoa apaixonada por língua e literatura poderia desejar. Esqueci a matéria e penetrei nas profundezas da minha alma inebriada, ouvindo e lendo trechos das obras de meus poetas preferidos... mas, após, desci para a carne novamente... fui arrumar meus cabelitos... mas, já saí do cabeleireiro às 19 horas imaginando os minutos do "daqui a pouco".... entrei no apartamento pensando "controle as emoções", liguei o note e fui ao banheiro enquanto ele carregava; entrei na Internet, acessei o site do Lavoisier, abri a página de resultados...

Parte superior do formulário

Parte inferior do formulário

.

e o "daqui a pouco" transformou-se no "agora"... que não é o "agora há pouco"... agora que permanece, que "é"... hoje, tomei meu café desejando estar no "agora há pouco", voltar o tempo por um passe de mágica e congelá-lo... pronto, senhor tempo, fique quieto, não saia daí...

Texto escrito em 23/03/2010 ao receber a notícia de recidiva com metástases no dois pulmões.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

DESASSOMBRADA

03:30 no horário de verão aqui em Sampa. Hoje recebi a quarta aplicação de QT (Irinotecano + Erbitux). Tossi muito durante e vomitei mais que tudo, porém ao chegar em casa, além da fadiga, está tudo bem. Em uma das crises de tosse, meu corpo vibrou do tórax para cima, como um choque elétrico. Pensei que estava partindo. Agora há pouco, dei uma tossidinha e novamente a tal vibração com dor, porém mais amena.
Não devo temer nada... todos que afirmaram estar com medo, deixaram que ele os dominassem e dai bau... bau...
Estou, sim, aproveitando meus momentos tranquilos (sem dores) para postar tudo o que posso sobre a minha vida acadêmica da qual sinto muita falta. Ter trabalhado na Faculdade São Luís de França foi uma grande benção na minha vida e espero ter contribuído com a Instituição pelo pouco tempo que estive por lá. Gestão sem igual!... e, sem precisar citar nomes, passei por uma Instituição que me deixou um grande trauma. Sofri assédio moral, estava na menopausa e foi bem difícil.
SENAI, ao qual devo muito aos que valorizaram o meu trabalho, como alguns de nossos gestores, Sílvia Delmondes, Sérgio Sena, Carmem Simone Rabello, Ana Alira; a UFS que sempre esteve de portas abertas a tudo que precisei e com a qual pude estabelecer parcerias para os eventos acadêmicos: Profs. Ponciano, Luis Eduardo, Denis, Lêda Correa, Leilane, Raimundo, Raquel Meister Ko, vocês apagaram o mal-estar causado pelo trauma...
Profa. Cristiane Tavares: essa pessoa é o meu exemplo de compreensão, humanidade, perseverança, garra e, sobretudo, em meiguice e delicadeza. Prof. Jorge, seu esposo, a merece. Os dois se merecem e constroem um estabelecimento de ensino sério e competente. Infelizmente, não poderei retornar para levar também o meu tijolinho, mas a minha alma está na FSLF. Partirei como uma profissional realizada!
Profa. Andréa Hermínia, exemplo de inteligência, pró-atividade e competência, nossos corações vibram na mesma sintonia. Profs. Adelmo e Gleyde Selma, vocês foram os companheiros nos momentos mais críticos.
Profa. Ilka, tudo o que eu tinha para dizer sobre você, já foi dito.
Todas essas pessoas possuem um brilho diferente, mas não apenas elas, senão estaria sendo muito ingrata. Em outro momento, escreverei sobre aquelas que marcaram minha vida.
Prof. Fred, o senhor já está nos braços de Morfeu ou ainda está com Dioniso noite afora? rs...








Câncer fashion



domingo, 1 de janeiro de 2012

Texto da minha sobrinha BIBI (Dra. Fabiana)

Oi tia Fabilia...
Acabei de ler o seu texto "Momento de revolta." Tentei publicar este comentário no seu blog, mas como não tenho uma conta, não consegui...envio por aqui, ok?
Por mais que eu diga que compreendo seu momento de revolta, a verdade é que talvez eu não o compreenda...pq não passei por um câncer, por não saber como é a invasiva quimioterapia, seus horríveis efeitos colaterais e talvez a proximidade da passagem tão forte dentro de mim...
Mesmo assim, preciso te dizer que, embora me faltem palavras para te confortar, minha forma de auxiliá-la é através da oração...rezo por você todas as noites, todas as tardes...para que tenha força e paciência para lidar com aquilo que tem passado, e que aparentemente tem piorado com o passar dos dias...
Sim, de certa forma seria incômodo ouvir o barulho forte do vômito...não por egoísmo, mas por ausência de possibilidade de real auxílio...não é somente aquele bjo em seu rosto que eu gostaria de ter dado ontem, enquanto você realizava a ceia, mas a cura total e completa da sua doença.
Sim, como espíritas sabemos que as doenças são abençoadas...que vem justamente para auxiliar no crescimento espiritual...claro, devemos agradecer! Mas...a verdade é que qdo passamos por elas, ou temos alguém querido que passa por elas, os conceitos acabam ficando meio confusos e gostaríamos que ela passasse depressa.
Sendo o câncer uma doença psicossomática, a explosão acometida pela ira e o desânimo não ajudam em nada...não é necessário gritar a todos, sobre os seus instantes na terra, pois todos nós sabemos o que vem se passando com vc...e sim, estamos profundamente sensibilizados. Não com dó, pena...mas com compaixão, porque o crescimento está sendo extremamente doloroso a todos...filhos, irmãos, pai e mãe, sobrinhos...mas especialmente a vc.
Cabeça no lugar. Deus no coração.
Li muitos textos do seu blog, e gostaria de te relembrar um post que você mesmo escreveu, em um momento de grande sabedoria:

"EU ACEITO
Que, pela vontade de Deus, fui acometida por um câncer
Que, pela vontade deste mesmo Deus, existem chances de cura
Que para que aconteça a cura eu tenho de ter paciência
Que os procedimentos pelos quais passo são obras de Deus em mim
Que em nenhum momento me esqueço das operações de Deus em mim
Que é ELE que me dá tranqüilidade
Que é ELE que me dá coragem
Que é ELE que me dá ouvidos para ouvir somente pensamentos positivos
Que as palavras doces e de consolo vêm DELE e eu AS ouço
Que eu afasto toda imagem negativa, com a força de Deus
Que eu afasto todo painel mental negativo, com a força de Deus
Que eu ignoro toda má sugestão com a força de Deus
Que minha mente constrói imagens positivas e felizes, com a força de Deus
Que em todos os momentos, existe algo feliz, com a força de Deus
Portanto, felizes todos os momentos do meu tratamento, com a força de Deus!
EU ACEITO imagens de flores na minha tela mental
Quadros de imensa beleza e luz que Deus me projeta
Pôr-de-sol, mar azul, cachoeiras de luz
E o meu velho bosque com sua fonte de vida
Uma plantação de girassóis de extrema beleza
O olhar piedoso de Maria com seu coração resplandescente
E ELE, o divino cordeiro, transferindo-me fluidos salutares!
EU ACEITO!"

Deus te abençoe, tia! Levanta a cabeça e força!
Gosto muito de vc e te desejo o melhor que Deus possa te dar neste ano de 2012!
Até breve!
Beijos
Bibi

AGRADEÇO

Agradeço a todos os meus conhecidos, colegas, amigos e até desconhecidos

Pela paciência que tiveram durante este ano com as minhas variações de humor

Pela atenção que me deram com um sorriso, um olhar de cumplicidade, com a presença

confortadora

Agradeço aos que compreenderam o meu esforço de parecer sempre bem aos seus olhos,

embora estivesse desmoronando de todo tipo de dor

Àqueles que se preocuparam comigo me ligando, ou passando mensagens, enfim, os que se fizeram presentes

Agradeço especialmente, aquele amigo que me traz alegria todos os dias, me fazendo rir, sempre constante, desde o primeiro dia da minha enfermidade, não importando a distância

Mais presente do que ele, e depois de alguns familiares, só DEUS

Àqueles que me toleraram, conscientes que este é um momento difícil para qualquer pessoa

Aos meus filhos que, jamais, choraram na minha frente e que sempre se mostraram corajosos

Juninho, você me faz melhor; René, você me faz alegre; Talita, você é um ser humano exemplar; Mônica, você é muito eu; Bob, meu cãozinho, você me ensina o que é amor.

Aos amigos que, de tão longe, não me esquecem e oram por mim

Agradeço até os que me decepcionaram, pois contribuíram com o meu autoconhecimento ao me reconhecer uma pessoa enfurecida ao ser contrariada, assim, posso procurar como combater essa inferioridade

Àqueles que fizeram emergir a minha intolerância, por terem me dado a oportunidade de melhorar o meu caráter

Aos que me amam, incondicionalmente, como meu papai querido, ao qual admiro, respeito e amo da mesma forma

À mainha pelo seu silêncio carregado de sentido

Perdoo também àqueles dos quais esperei mais; o erro foi meu, a intolerância foi minha...

ACORDO ORTOGRÁFICO

Acordo Ortográfico

O objetivo deste guia é expor ao leitor, de maneira objetiva, as alterações introduzidas na ortografia pelo da língua portuguesa Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em Lisboa, em 16 de dezembro de 1990, por Portugal, Brasil, Angola, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e, posteriormente, por Timor Leste. No Brasil, o Acordo foi aprovado pelo Decreto Legislativo no 54, de 18 de abril de 1995. Esse Acordo é meramente ortográfico; portanto, restringe-se à língua escrita, não afetando nenhum aspecto da língua falada. Ele não elimina todas as diferenças ortográficas observadas nos países que têm a língua portuguesa como idioma oficial, mas é um passo em direção à pretendida unificação ortográfica desses países. Como o documento oficial do Acordo não é claro em vários aspectos, elaboramos um roteiro com o que foi possível estabelecer objetivamente sobre as novas regras. Esperamos que este guia sirva de orientação básica para aqueles que desejam resolver rapidamente suas dúvidas sobre as mudanças introduzidas na ortografia brasileira, sem preocupação com questões teóricas.

Mudanças no alfabeto

O alfabeto passa a ter 26 letras. Foram reintroduzidas as letras k, w e y. O alfabeto completo passa a ser:

A B C D E F G H I

J K L M N O P Q R

S T U V W X Y Z

As letras k, w e y, que na verdade não tinham desaparecido da maioria dos dicionários da nossa língua, são usadas em várias situações. Por exemplo:

a) na escrita de símbolos de unidades de medida: km (quilômetro), kg (quilograma), W (watt);

b) na escrita de palavras e nomes estrangeiros (e seus derivados): show, playboy, playground, windsurf, kung fu, yin, yang, William, kaiser, Kafka, kafkiano.

Trema

Não se usa mais o trema (¨), sinal colocado sobre a letra u para indicar que ela deve ser pronunciada nos grupos

gue, gui, que, qui.

Como era Como fica

agüentar aguentar

argüir arguir

bilíngüe bilíngüe

cinqüenta cinquenta

delinqüente delinquente

eloqüente eloquente

ensangüentado ensanguentado

eqüestre equestre

freqüente frequente

lingüeta lingueta

lingüiça linguiça

qüinqüênio quinquênio

sagüi sagui

seqüência sequência

seqüestro sequestro

tranqüilo tranqüilo

Atenção: o trema permanece apenas nas palavras estrangeiras e em suas derivadas.

Exemplos: Müller, mülleriano.

Mudanças nas regras de acentuação

1. Não se usa mais o acento dos ditongos abertos éi e ói das palavras paroxítonas (palavras que têm acento tônico na penúltima sílaba).

Como era Como fica

alcalóide alcaloide

alcatéia alcateia

andróide androide

apóia (verbo apoiar) apoia

apóio (verbo apoiar) apoio

asteróide asteroide

bóia boia

celulóide celuloide

clarabóia claraboia

colméia colméia

Coréia Coreia

debilóide debiloide

epopéia epopeia

estóico estoico

estréia estreia

estréio (verbo estrear) estreio

geléia geleia

heróico heroico

idéia ideia

jibóia jiboia

jóia joia

odisséia odisseia

paranóia paranoia

paranóico paranoico

platéia plateia

tramóia tramóia

Atenção: essa regra é válida somente para palavras paroxítonas. Assim, continuam a ser acentuadas as palavras oxítonas terminadas em éis, éu, éus, ói, óis. Exemplos: papéis, herói, heróis, troféu, troféus.

2. Nas palavras paroxítonas, não se usa mais o acento no i e no u tônicos quando vierem depois de um ditongo.

Como era Como fica

Baiúca baiuca

Bocaiúva bocaiuva

cauíla cauila

feiúra feiura

Atenção: se a palavra for oxítona e o i ou o u estiverem em posição final (ou seguidos de s), o acento permanece.

Exemplos: tuiuiú, tuiuiús, Piauí.

3. Não se usa mais o acento das palavras terminadas em êem e ôo(s).

Como era Como fica

abençôo abençoo

crêem (verbo crer) creem

dêem (verbo dar) deem

dôo (verbo doar) doo

enjôo enjoo

lêem (verbo ler) leem

magôo (verbo magoar) magoo

perdôo (verbo perdoar) perdoo

povôo (verbo povoar) povoo

vêem (verbo ver) veem

vôos voos

zôo zoo

4. Não se usa mais o acento que diferenciava os pares pára/para, péla(s)/

pela(s), pêlo(s)/pelo(s), pólo(s)/polo(s) e pêra/pera.

Como era Como fica

Ele pára o carro. Ele para o carro.

Ele foi ao pólo Ele foi ao polo

Norte. Norte.

Ele gosta de jogar Ele gosta de jogar

pólo. polo.

Esse gato tem Esse gato tem

pêlos brancos. pelos brancos.

Comi uma pêra. Comi uma pera.

Atenção:

• Permanece o acento diferencial em pôde/pode. Pôde é a forma do passado do verbo poder (pretérito perfeito do indicativo), na 3a pessoa do singular. Pode é a forma do presente do indicativo, na 3a pessoa do singular.

Exemplo: Ontem, ele não pôde sair mais cedo, mas hoje ele pode.

• Permanece o acento diferencial em pôr/por. Pôr é verbo. Por é preposição.

Exemplo: Vou pôr o livro na estante que foi feita por mim.

• Permanecem os acentos que diferenciam o singular do plural dos verbos ter e vir, assim como de seus derivados (manter, deter, reter, conter, convir, intervir, advir etc.). Exemplos:

Ele tem dois carros. / Eles têm dois carros.

Ele vem de Sorocaba. / Eles vêm de Sorocaba.

Ele mantém a palavra. / Eles mantêm a palavra.

Ele convém aos estudantes. / Eles convêm aos estudantes.

Ele detém o poder. / Eles detêm o poder.

Ele intervém em todas as aulas. / Eles intervêm em todas as aulas.

• É facultativo o uso do acento circunflexo para diferenciar as palavras forma/ fôrma. Em alguns casos, o uso do acento deixa a frase mais clara. Veja este exemplo: Qual é a forma da fôrma do bolo?

5. Não se usa mais o acento agudo no u tônico das formas (tu) arguis, (ele) argui, (eles) arguem, do presente do indicativo dos verbos arguir e redarguir.

6. Há uma variação na pronúncia dos verbos terminados em guar, quar e quir, como aguar, averiguar, apaziguar, desaguar, enxaguar, obliquar, delinquir etc. Esses verbos admitem duas pronúncias em algumas formas do presente do indicativo, do presente do subjuntivo e também do imperativo.

Veja:

a) se forem pronunciadas com a ou i tônicos, essas formas devem ser acentuadas.

Exemplos:

  • verbo enxaguar: enxáguo, enxáguas, enxágua, enxáguam; enxágue, enxágues, enxáguem.
  • verbo delinquir: delínquo, delínques, delínque, delínquem; delínqua, delínquas, delínquam.

b) se forem pronunciadas com u tônico, essas formas deixam de ser acentuadas.

Exemplos (a vogal sublinhada é tônica, isto é, deve ser pronunciada mais fortemente que as outras):

  • verbo enxaguar: enxaguo, enxaguas, enxagua, enxaguam; enxague, enxagues, enxaguem.
  • verbo delinquir: delinquo, delinques, delinque, delinquem; delinqua, delinquas, delinquam.

Atenção: no Brasil, a pronúncia mais corrente é a primeira, aquela com a e i tônicos.

Uso do hífen

Algumas regras do uso do hífen foram alteradas pelo novo Acordo. Mas, como se trata ainda de matéria controvertida em muitos aspectos, para facilitar a compreensão dos leitores, apresentamos um resumo das regras que orientam o uso do hífen com os prefixos mais comuns, assim como as novas orientações estabelecidas pelo Acordo. As observações a seguir referem-se ao uso do hífen em palavras formadas por prefixos ou por elementos que podem funcionar como prefixos, como: aero, agro, além, ante, anti, aquém, arqui, auto, circum, co, contra, eletro, entre, ex, extra, geo, hidro, hiper, infra, inter, intra, macro, micro, mini, multi, neo, pan, pluri, proto, pós, pré, pró, pseudo, retro, semi, sobre, sub, super, supra, tele, ultra, vice etc.

1. Com prefixos, usa-se sempre o hífen diante de palavra iniciada por h.

Exemplos:

anti-higiênico

anti-histórico

co-herdeiro

macro-história

mini-hotel

proto-história

sobre-humano

super-homem

ultra-humano

Exceção: subumano (nesse caso, a palavra humano perde o h).

2. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal diferente da vogal com que se inicia o segundo elemento.

Exemplos:

aeroespacial

agroindustrial

anteontem

antiaéreo

antieducativo

autoaprendizagem

autoescola

autoestrada

autoinstrução

coautor

coedição

extraescolar

infraestrutura

plurianual

semiaberto

semianalfabeto

semiesférico

semiopaco

Exceção: o prefixo co aglutina-se em geral com o segundo elemento, mesmo quando este se inicia por o: coobrigar, coobrigação, coordenar, cooperar, cooperação, cooptar, coocupante etc.

3. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por consoante diferente de r ou s. Exemplos:

anteprojeto

antipedagógico

autopeça

autoproteção

coprodução

geopolítica

microcomputador

pseudoprofessor

semicírculo

semideus

seminovo

ultramoderno

Atenção: com o prefixo vice, usa-se sempre o hífen. Exemplos: vice-rei, vice-almirante etc.

4. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por r ou s. Nesse caso, duplicam-se essas letras. Exemplos:

antirrábico

antirracismo

antirreligioso

antirrugas

antissocial

biorritmo

contrarregra

contrassenso

cosseno

infrassom

microssistema

minissaia

multissecular

neorrealismo

neossimbolista

semirreta

ultrarresistente.

ultrassom

5. Quando o prefixo termina por vogal, usa-se o hífen se o segundo elemento começar pela mesma vogal.

Exemplos:

anti-ibérico

anti-imperialista

anti-inflacionário

anti-inflamatório

auto-observação

contra-almirante

contra-atacar

contra-ataque

micro-ondas

micro-ônibus

semi-internato

semi-interno

6. Quando o prefixo termina por consoante, usa-se o hífen se o segundo elemento começar pela mesma consoante.

Exemplos:

hiper-requintado

inter-racial

inter-regional

sub-bibliotecário

super-racista

super-reacionário

super-resistente

super-romântico

Atenção:

• Nos demais casos não se usa o hífen.

Exemplos: hipermercado, intermunicipal, superinteressante, superproteção.

• Com o prefi xo sub, usa-se o hífen também diante de palavra iniciada por

r: sub-região, sub-raça etc.

• Com os prefixos circum e pan, usa-se o hífen diante de palavra iniciada

por m, n e vogal: circum-navegação, pan-americano etc.

7. Quando o prefixo termina por consoante, não se usa o hífen se o segundo elemento começar por vogal. Exemplos:

hiperacidez

hiperativo

interescolar

interestadual

interestelar

interestudantil

superamigo

superaquecimento

supereconômico

superexigente

superinteressante

superotimismo

8. Com os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró, usa-se sempre o hífen. Exemplos:

além-mar

além-túmulo

aquém-mar

ex-aluno

ex-diretor

ex-hospedeiro

ex-prefeito

ex-presidente

pós-graduação

pré-história

pré-vestibular

pró-europeu

recém-casado

recém-nascido

sem-terra

9. Deve-se usar o hífen com os sufixos de origem tupi-guarani: açu, guaçu e mirim. Exemplos: amoré-guaçu, anajá-mirim, capim-açu.

10. Deve-se usar o hífen para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se combinam, formando não propriamente vocábulos, mas encadeamentos vocabulares. Exemplos: ponte Rio-Niterói, eixo Rio-São Paulo.

11. Não se deve usar o hífen em certas palavras que perderam a noção de

composição. Exemplos:

girassol

madressilva

mandachuva

paraquedas

paraquedista

pontapé

12. Para clareza gráfica, se no final da linha a partição de uma palavra ou combinação de palavras coincidir com o hífen, ele deve ser repetido na linha

seguinte. Exemplos:

Na cidade, conta-

-se que ele foi viajar.

O diretor recebeu os ex-

-alunos.

Emprego do hífen com prefixos

Regra básica

Sempre se usa o hífen diante de h: anti-higiênico, super-homem.

Outros casos

1. Prefixo terminado em vogal:

• Sem hífen diante de vogal diferente: autoescola, antiaéreo.

• Sem hífen diante de consoante diferente de r e s: anteprojeto, semicírculo.

• Sem hífen diante de r e s. Dobram-se essas letras: antirracismo, antissocial, ultrassom.

• Com hífen diante de mesma vogal: contra-ataque, micro-ondas.

2. Prefixo terminado em consoante:

• Com hífen diante de mesma consoante: inter-regional, sub-bibliotecário.

• Sem hífen diante de consoante diferente: intermunicipal, supersônico.

• Sem hífen diante de vogal: interestadual, superinteressante.

Observações

1. Com o prefixo sub, usa-se o hífen também diante de palavra iniciada por r sub-região, sub-raça etc. Palavras iniciadas por h perdem essa letra e juntam-se sem hífen: subumano, subumanidade.

2. Com os prefixos circum e pan, usa-se o hífen diante de palavra iniciada por m, n e vogal: circum-navegação, pan-americano etc.

3. O prefixo co aglutina-se em geral com o segundo elemento, mesmo quando este se inicia por o: coobrigação, coordenar, cooperar, cooperação, cooptar, coocupante etc.

4. Com o prefixo vice, usa-se sempre o hífen: vice-rei, vice-almirante etc.

5. Não se deve usar o hífen em certas palavras que perderam a noção de composição, como girassol, madressilva, mandachuva, pontapé, paraquedas, paraquedista etc.

6. Com os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró, usa-se sempre o hífen: ex-aluno, sem-terra, além-mar, aquém-mar, recém-casado, pós-graduação, pré-vestibular, pró-europeu.